We all live in a yellow submarine
Marcos Abalde Covelo

O 7 de Outubro de 2005 som capturadas 800 pessoas e deportadas em autocarros e camions para o gado até o meio do deserto. Nom eram carruagens para o gado, eram camions. A sua pele é escura. Em cada autocarro há 45 vagas. Deixam-nos num lugar situado a 600 quilómetros ao sul de Oujda. Nesta cidade costumavam abandoná-los. Agora está perto demais. Desvio da traqueia. Um sabe que está na Argélia porque a fronteira está marcada com os cadáveres dos irmaos. A viagem até o deserto som doze horas. Os que sobrevivem, voltarám andando. Vam algemados de dous em dous com o rosto desfigurado. Eu vim morrer cinco de nós. Ninguém podia arrestá-lo. Os Reinos de Espanha e Marrocos qualificam este processo de ‘devoluçons’. O estômago revolvia-se. Aos refugiados chamam-nos ‘clandestinos’. Feridas e contusons. Golpes e balas de goma. Depois de tentarem saltar as aramagens de Ceuta e Melilha. Violaçons. Rotura de fígado. Cuspe e mijos da Guardia Civil. Ninguém podia arrestá-lo sem autorizaçom prévia. Sem roupa de abrigo, nem comida. ACNUR era um acrónimo. À noite as temperaturas no deserto rondam os três graus. Sem roupa de abrigo. Sem autorizaçom prévia do Alto. Militares marroquinos e argelinos realizam violaçons múltiplas as mulheres subsaarianas. Do Alto Comissariado. Eu tinha papéis. Se nom se tratam estas pessoas, esperam-se amputaçons. Só umha espécie de regato passa por ali, mas as suas águas nom som potáveis. Escuita-se chorar os fetos das mulheres grávidas.

A partida de defunçom dalgumha delas será como a de Joana Capdevielle, mulher também grávida falecida em Rábade a consequência de disparos de arma de fogo em peito e cabeça. Foi inscrita no Registo Civil o 19 de Agosto de 1936 perante o Juiz municipal e o Secretário desta maneira: “mulher desconhecida de trinta e cinco anos de idade, natural de ignora-se, provincia de ignora-se, filha de D. ignora-se e de Dª idem, domiciliada em ignora-se, de profissom ignorada e de estado ignorado, foi achado o cadaver às oito de onte à distancia de um Km desta vila no ponto chamado “Monte de Gándara”, quilómetro 562 hectómetro 3 da estrada geral Madrid-Crunha em direcçom a esta última capital a seis metros da margem direita”. A seis metros da fronteira de Mauritânia, de Palestina, de Ruanda, de Arménia, de Ucrânia, de Timor, de Congo, de México, de Sérbia, de Espanha. Ignora-se ou prefere-se ignorar. Com a asepsia da burocracia, com a racionalidade do Século das Luzes, com a cumplicidade da vizinhança, com a eficacia do sistema ferroviário alemao. O 13 de Maio de 1939 o navio Saint Louis saiu do porto de Hamburgo. Levava 936 judeus. Daquela podia-se dizer com Marina Tsvietáieva que todos os poetas eram judeus. Fugiam da Noite dos Vidros Quebrados. O Saint Louis demorou 14 dias em chegar a América, mas nom houvo nengum porto aberto a cobiça das ratas judias. Tiverom que voltar a Alemanha e participar nos últimos avanços da civilizaçom industrial. A maior parte acabou nos campos de concentraçom, nos centros de internamento. Provando o Zyklon B. Fora da legalidade internacional. Fora! Auf wiedersehn, Convençom de Genebra!

Quantos novos capítulos da História Universal da Infâmia serám necessários para sensibilizar, consciencializar, organizar? A docilidade, o isolamento, a apatia social figérom possível isto. Os cartógrafos do Império sabem-no. O genocídio ocupou no telejornal um minuto e trinta segundos. A alienaçom invade a vida quotidiana. Hoje a televisom domina o sistema de representaçom, torna mais real o simulacro que a realidade. O controlo das populaçons quase é completo. 235 minutos de consumo meio diário assimilando os seus valores, a sua língua, as suas mercadorias. Rindo com o polícia, dormindo com o polícia, jantando com o polícia. É claro, sem umha ordem dele nada se move. O seu olhar totalizador favorece a reclusom domestica, a passividade, o individualismo, a barbárie. Todo está atado e bem atado. É o panóptico invertido, o deserto do real.

Sociedad enferma
Miguel Amorós

Forzas Eskizoá:

Nada máis nacer comezan a corrompernos
Laura
Cita
serxio
Versos
Jorge Moro
No nome da ciencia
Sakti

El representante de la Casa de Piensos Compuestos
Pedro García Olivo

Apuntamentos a favor da desviación e da anomalía nesta sociedade enferma
DERRADEIRA CIDADE

Muller terra: a procura da sanación feminina
Fátima Bermejo

Transgênicos nas comunidades indígenas peruanas
Alejandro Argumedo

Naturaleza devastada
Félix Rodrigo Mora

Do que se cría
Matosende

Quiero señalar...
Teresa Rodríguez

GRANDE HOSPITAL MUNDIAL
DAVID BRUZOS

A Pobreza, Unha Enfermidade do Capitalismo
GRUPO DE AXITACIÓN SOCIAL

CAPITALISMO, HAMBRE, SALUD
OTTO MÁS

El bastón y la serpiente
Alberto Domínguez

Morte violenta nas beiras do mundo rico
Benito Alonso

We all live in a yellow submarine
Marcos Abalde Covelo

Santísima trindade
MINUX

A limpeza enferma
Manolo Rei

DEL DIARIO DE UN DECEPCIONADO
RAFAEL BECERRA

Impacientes do mundo unídevos!
Emma Dourado

Estamos enfermos ou simplemente non estamos?
Rebeca Baceiredo

Comunicar-se no barulho urbano
antipanfleto

A enfermidade do medo
Eliseo Fernández

Antivirus
Paulo Hortak

Tirado do “Retrato do home civilizado”
Emil M. Cioran

ACHEGAS GRÁFICAS

Colectivo editorial Renderén | colectivo.renderen(a)gmail.com | OURENSE - Galiza